sábado, 28 de março de 2020

Feliz

Faz tempo que não visitava o blog, então como decidi publicar meus relatos 4 anos depois que tudo aconteceu, também decidi contar que hoje sou muito feliz. Eu engravidei novamente seis meses, após a perda da Bibiana. Foram nove meses de muito cuidado, muitas idas ao hospital, muitas idas ao médico, muitas vitaminas, enfim, nove meses de apreensão. Mas, hoje eu tenho a Sofia e cada minuto de ansiedade e dúvida valeram à pena. Eu sei que ela não é a Bibiana, meu sonho já havia me dito também. Ela é uma menina linda, cheia de vida e energia e, com certeza, veio me ensinar o verdadeiro sentido de toda esta loucura chamada vida.

Meus sonhos

Fora ter ouvido vozes de uma criança chamando mamãe, logo após a perda, eu tive dois sonhos que me marcaram muito.

No primeiro, eu estava de carona no carro de uma grande amiga, olhava no banco de trás e via um menino loirinho de aproximadamente uns três anos. Perguntava para esta minha amiga: - Tu estás vendo a criança que está no banco de trás? E ela me dizia que não. 
Eu me virei em direção ao banco traseiro, olhei fixamente para a criança e perguntei: - Quem tu és? E a criança ria... Eu perguntei de novo: - Quem tu és? E a criança me respondeu: - Susan.
Eu achava estranho um menino responder que se chamava com nome de menina, mas como os sonhos são meio loucos, deixei assim. 
Quando acordei, mandei uma mensagem para esta minha amiga contando do sonho e perguntando se ela conhecia alguma Susan. Ela me disse que não. Fiquei encucada pois eu também não conhecia nenhuma Susan.
Outro dia, no grupo de Pais Gestantes do Centro Espírita em que frequento, um casal chegou atrasado e a mulher estava vestida toda de branco. Olhei no crachá o seu nome e estava escrito: Susan. 
Todo o encontro correu normalmente, até que no final os facilitadores perguntaram se alguém tinha alguma novidade para contar. 
Esta mulher, Susan, disse: - Eu tenho!!! Sonhei com um menino loirinho ontem correndo em direção aos meus braços. 
Depois deste fato, eu demorei a voltar no grupo. Mas, quando voltei e encontrei a Susan, ela me contou que realmente aguardava um menino. A vida é maior do que imaginamos. 

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O segundo sonho foi assustador. Sonhei com o meu marido. Ele vinha em minha direção com um bebê recém nascido nos braços. Enquanto ele se dirigia a mim, eu pensava: - Meu Deus, a Bibi voltou! Ela está viva!!! 
Quando meu marido chegou bem pertinho e o bebê abriu os olhos, eu falei: - Eu não acredito, Bibi! Tu voltou!!! 
o bebê então abriu os olhos e me respondeu - Eu não sou a Bibiana! 
Foi então que eu comecei a chorar e perguntei: - Então, quem tu és? 
E ela me respondeu: - A tua filhinha! Mas, não sou a Bibiana. 

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Contei para o meu terapeuta deste último sonho e ele me explicou que provavelmente este sonho significava uma construção do meu cérebro para que eu não confundisse meu próximo filho com a Bibiana. Ele viria, sim, mas seria outra pessoa. 

Aceitei esta explicação.



Uma carta para Bibiana

Filha amada, escrevo para te dizer que sinto tua falta. Que gostaria que me perdoasse se falhei em algum momento contigo, que entendo tua decisão de não ficar neste plano. Escrevo também para te contar que estamos grávidos novamente. Eu e teu pai esperamos a Sofia, tua Irmã. Tenho certeza que ela te ama muito, pois se mexe na minha barriga enquanto escrevo. Terça, fez um ano que partiste nos ensinando a maior de todas as lições: o AMOR. Eu quero te agradecer por isto. Te dizer que te amei desde que soube que estava grávida. Teu pai não sabe o que dizer. Ele só diz que tu vieste tão bonitinha, tão querida e tão perfeitinha... e tem certeza que vais ficar feliz pela notícia da Sofia. Também sente muito a tua falta. Do jeito dele. Os homens não são de falar. Mas, saiba que ele te cuidou muito. Ele é mais corajoso que eu. Já foi ao cemitério e te encheu de rosas. Espero que os beija-flores te acompanhem, ou melhor, que tenhas te transformado num deles e estejas batendo asas por aí. Aqui, dentro da gente, sempre teremos muito amor por ti. Fica com Deus.

Uma nova gravidez na família

Quatro meses depois que a Bibiana se foi, meu irmão e minha cunhada contaram que estavam grávidos. Fiquei muito emocionada e ao mesmo tempo com muita raiva. Eu não queria nada de ruim para eles, mas queria que tivesse dado certo comigo. Que o filho deles tivesse uma prima, que meus pais e minha sogra tivessem uma neta. Que eu e meu marido tivéssemos nossa tão sonhada filha.
Confesso que também me senti aliviada, pois meus pais teriam seu tão sonhado neto e eu poderia esperar a minha vez (estava querendo apressar para curar a dor que pairava sobre nós).
De qualquer forma pensei:
- Deus é grande. Trouxe uma alegria para a nossa família.
Enfim, a vida não é como queremos e sim como se apresenta. Vamos em frente!

Encarando nossos monstros

No dia 3 de abril de 2017, nasceu a filha de um casal muito amigo nosso na mesma maternidade onde perdemos a Bibi. 
Meu primeiro pensamento foi: eu não vou no hospital, vou esperar para visitá-los em casa. Mas, lembrei de quanta força recebemos dos dois durante todo período do luto, mesmo ela estando grávida (numa gestação de risco). 
Respirei, me arrumei, rezei e nós fomos. 
Confesso: não foi fácil!
Entrar no hospital, encarar a maternidade e segurar aquela criança linda (recém nascida) mexeu muito comigo. Eu dava um passo e me lembrava da nossa história e a pergunta voltava: "-Por quê, meu Deus?" 
De qualquer forma, fazia tempo eu queria agradecer a psicóloga do hospital que insistiu para vermos nossa filha, então aproveitei para encontrá-la, dar um abraço bem forte nela e dizer: Muito Obrigada. 
Aproveitei também para visitar uma ex-colega do colégio que estava internada com 5 meses de gravidez e dizer: Vai dar certo. 
O saldo, apesar de relembrar o trauma, foi positivo. Algum dia, eu teria que enfrentar meus medos. Por dois amigos queridos, enfrentei todos de uma vez. 

Em busca do meu bebê arco-íris

Após realizado todos os exames para trombofilia e os meus médicos constatarem que estava tudo bem com a minha saúde, fui liberada para tentar engravidar novamente (4 meses, após a perda da Bibiana). 
Comecei o tratamento com o ácido fólico, cálcio e um medicamento para baixar o hormônio da tireóide chamado Puran T4. Meu marido também começou a tomar ácido fólico, vitaminas B, C e D para melhorar a qualidade do esperma. Todos os medicamentos foram receitados pelos médicos que estão nos acompanhando.
Baixei um aplicativo no celular para controlar os dias que estou fértil e também comprei testes de farmácia para identificar melhor o período. Vamos em busca do nosso *arco-íris! 
Confesso que transar com hora marcada não é o meu forte, mas temos que dar uma ajuda para a natureza, então... vamos lá! Confiança que Deus sabe a hora das coisas e que está conosco.

*Os bebês que nascem após uma perda gestacional ou neonatal são chamados de bebês arco-íris, pois assim como o fenômeno que acontece na natureza, eles também trazem a esperança e devolvem a alegria e a beleza após a tempestade. 




Preciso te deixar ir

Eu precisava deixar a Bibiana ir, então decidi não mais remexer nas suas coisas (exames, imagens, fotos), porque isso me deixa muito mal.
Eu vou sempre levar ela no meu coração e também na meu corpo (ficou na minha barriga a marca da cesárea), mas a vida continuará e eu acredito que ainda serei muito feliz, apesar da sua ausência. Mas, com a sua benção.
Minha filha, onde quer que esteja, sabe que foi muito amada e que me deu muito amor em retorno. Foi uma troca linda. Um encontro de almas. Estes dias, ouvi uma música que tem muito a ver com este encontro, pois seu nome foi carinhosamente escolhido por causa do romance o "O Tempo e o Vento", de Érico Veríssimo. A personagem Bibiana Terra era uma mulher forte, apaixonada, esperançosa. Foi isto que Bibiana me trouxe: força, paixão, esperança. Na vida. Nas suas tragédias, nas suas doçuras.

Para Bibiana, dedico a música que tanto me tocou:

Demais - Verônica Sabino

Foi um vento que passou
Que te trouxe
E te levou
Deixando no corpo
A marca do amor
Que ficou no ar
Ilusão luar
A chuva que esse vento
Traz
Faz com que
Eu me lembre mais
De todos os sonhos
Que a gente sonhou
Planejou demais
Demais
Bem que eu podia
Tentar te encontrar
Mas um vento forte
Que me afastou, te levou
Te escondeu
Longe demais
A chuva que esse vento
Traz
Faz com que
Eu me lembre mais
De todos os sonhos
Que a gente sonhou
Planejou demais
Demais
E cada vento
Que soprar
Pode te fazer voltar
Encher o vazio
Que ficou no ar
Me marcou demais
Me marcou
Demais

Coisas que eu senti nos primeiros meses após a perda

Quando - Sentimento
Recebi a notícia - choque 
Tive que fazer o parto - choque (achava sem sentido) 
Peguei minha filha - paz, alegria e tristeza 
Saí do hospital de mãos vazias - vazio e revolta 
Vi mães com seus filhos recém nascidos - vazio e revolta 
Cheguei em casa - vazio, raiva e tristeza 
Abri seu quarto e tive que encaixotar suas coisas - vazio, raiva e tristeza 
Recebi a visita de amigos e familiares no hospital e em casa - conforto e muito amor 
Entrei em um grupo de apoio a perdas gestacionais e neonatais - conforto 
Fui em busca de outras opiniões médicas - conforto e tristeza (se diagnosticado, poderia ter sido evitado)
Ficava brincando com meu cachorro - conforto
Fazer meu artigo da pós-graduação - conforto
Fui ao psiquiatra - conforto
Voltei a fazer exercícios - prazer 
Sorria com amigos - culpa 
Fazia sexo com o marido - culpa 
Pensava em mim como mulher - fracasso

Confesso que estes sentimentos se misturaram muitas vezes e que me sentia em uma verdadeira montanha-russa emocional. 
A culpa sempre aparecia nos raros momentos em que a tristeza dava lugar a outras emoções como a gratidão, o amor, o riso... a sensação é que eu estava traindo a minha filha, a abandonando. 
Como se isto um dia fosse possível. 
Nós cuidamos da Bibi. Cuidamos na vida e também cuidamos na morte.
Cuidaremos também eternamente da sua memória em nossos corações.




Desabafo

O que pude constatar nesta minha triste experiência é que, infelizmente, nossa sociedade não está preparada para lidar com a perda gestacional. Parece que porque a criança não nasceu, ela não existiu e, por isso, a mãe ou pai enlutados não tem direito ao luto ou a falar sobre a sua perda.


Após passar pelo choque do luto, continuei frequentando (com muito esforço) eventos de família e de amigos relacionados ou não com crianças. O que me chamou a atenção é que ninguém comenta sobre o ocorrido comigo ou com o meu marido. Perguntavam para nossos parentes como estávamos, mas perto de nós, fingiam que nada tinha acontecido.
Ainda, quando estavam em uma roda e algum amigo perguntava como eu estava para um parente e outras pessoas que não sabiam do ocorrido perguntavam o que havia acontecido e este contava a história, as pessoas que haviam perguntado saiam de perto. Também não querendo  lidar com aquela situação horrível.
Quando as pessoas tem estas atitudes, a dor de quem está passando pelo luto é muito pior. É como se aquele bebê fosse ignorado, mas o fato é que ele existiu e foi muito real para todos os envolvidos.
No nosso caso, os parentes mais próximos (pai, mãe, sogra e marido) tiveram contato com a Bibiana. Para nós, ela foi um ente que partiu. 
Para mim, especialmente, ter que lidar com a minha dor, com a dor dos parentes mais próximos e também com a expectativa frustada da chegada de um bebê foi terrivelmente terrível.

Em busca de um porquê

Mesmo tendo enviado o corpo da Bibiana para a necrópsia, eu não tive respostas sobre a sua causa morte. O laudo apenas relatava uma anóxia seis horas antes da minha chegada ao hospital, mas sem dizer a causa desta. Minha obstetra não enviou a placenta e nem o cordão umbilical para a análise nos deixando sem saber se eu tive um trombo, uma má formação ou qualquer outra coisa que justificasse a partida precoce da Bibi (assim eu a chamava, carinhosamente). 
Como o coração de uma mãe que passa pela dor da perda de um filho não descansa, eu entrei em grupos de apoio à perda gestacional e neonatal na internet para buscar apoio e respostas a minha culpa. Sim, eu me sentia muito culpada. Pensava se poderia ter comido ou bebido alguma coisa que tivesse feito mal ao bebê, se havia trabalhado demais, se deveria ter me exercitado de forma diferente, "ses"e mais "ses" rondavam a minha cabeça. Lia tudo e mais um pouco sobre os textos publicados nestes grupos e também os artigos que encontrava no Google Acadêmico. Além da busca da espiritualidade (que ajudou muito a confortar minha alma), agendei inúmeras consultas com outros ginecologistas e obstetras para tentar entender o que poderia ter acontecido. Muitos médicos não encontravam respostas, apenas me diziam que estas coisas aconteciam. Mas, finalmente, após inúmeras buscas, um profissional me disse o que poderia ter acontecido com base nos meus relatos e nos laudos dos exames.
Notou-se que a minha filha, baixou seu percentil de crescimento da 33 semana, então com 75%, para 50% na 37 semana (última ecografia realizada, a qual a médica da eco havia dito que ela estava pronta para nascer) e, que isso, aliado a alta de minha pressão, poderia indicar algum problema ocorrido com a minha placenta. 
Placenta que não tinha havia sido enviada para análise, ou seja: eu nunca teria como saber. 
De qualquer forma, decidi fazer o que estivesse ao meu alcance para tentar descobrir o que poderia ter ocorrido para que este evento não venha a se repetir e para, claro, acalmar meu coração. 

Nós e os Beija-Flores

Em dois momentos, recebi a visita de Beija-Flores.




O primeiro, foi logo após a passagem da minha filha. Acho que devia fazer mais ou menos, um mês da sua partida. 
Estávamos, eu e o meu marido, sentados na sala da casa na praia, assistindo ao seriado Prision Break, quando caio desesperadamente no choro (isto costumava acontecer). Meu marido apertou a minha mão e começou a chorar também. Internamente a pergunta sempre voltava em nossas cabeças: - Por quê? O silêncio pairava no ar e, de repente, surge um Beija-Flor grande, com várias tonalidades de azul e fica alguns segundos bem parado na nossa frente batendo suas lindas asas. Foi um momento lindo. Ele entrou, nos encantou e saiu pela porta da sala sem se machucar. Nosso espanto se misturou com alegria e cessamos o choro. Foi lindo.

O segundo beija-flor, eu vi quando estava saindo de um lugar que tem me confortado muito, uma casa onde pairam boas energias e onde encontro luz e paz. Fui com meu irmão mais novo para as preces e irradiações e para tomar um passe e, depois de sairmos, ao dobrarmos a esquina para buscarmos o carro, estava lá o beija-flor parado na nossa frente e batendo suas asas. Desta vez, ele era menor e mais colorido. Tinha as cores verdes, amareladas, rosas, parecia um arco-íris vindo em nossa direção. Lindo. 


Óbvio que, como boa curiosa, fui pesquisar o significado da visita destes pássaros e eis o que encontrei no Sr. Google:
"O beija-flor, também conhecido como colibri, é o mensageiro dos deuses e simboliza o renascimento, a delicadeza e a cura.
Além de ter propriedades mágicas, o passarinho pode ser considerado também um símbolo de alegria e energia, uma vez que bate as asas com bastante determinação e força e tem um batimento cardíaco bastante acelerado.
Para os Ameríndios, o beija-flor simboliza a beleza, a harmonia, a verdade e a força.
Os índios hopis, do Arizona, por sua vez, consideram o beija-flor um herói que salva a humanidade da fome, visto ele intervem com o deus da germinação e do crescimento.
Os índios tukanos da Colômbia vêem nos colibris a representação do pênis, da ereção, da virilidade pelo fato de esses pássaros "copularem" com as flores.
Os astecas acreditavam que as almas dos guerreiros que morriam retornavam à terra com a forma de beija-flor ou de borboleta.
O amor puro, a cura e a sorte, por sua vez, são simbologias pertencentes ao beija-flor no Xamanismo."
Entendi que a visita destes dois pássaros foi um presente e um recado da natureza nos dizendo que tudo ficaria bem. 



Investigação

Os exames que meus novos médicos: Ginecologista e Obstetra especializado em Gravidez de Risco e Hematologista me solicitaram foram os seguintes:

1) Hormonio Tireoestimulante, soro
2) T4 livre, por eletroquimioluminescencia, soro
3) Ferritina, soro
4) Vitamina D, 25 Hidroxi, por quimioluminescencia, soro
5) Vitamina B12, soro
6) Tiroperoxidase, anticorpos por eletroquimioluminescencia, soro
7) Hemograma, sangue total 
8) Glicose, soro
9) Fator V de Leiden, Mutação do gene, pesquisa total
10) Prototrombina, tempo de plasma
11) Antitrombina III, plasma
12) Beta-2- Glicoproteina 1, autoanticorpo IgC, soro
13) Beta-2- Glicoproteina 1, autoanticorpo IgM, soro
14) Taxoplasma gondii, anticorpo IgC, soro
15) Taxoplasma gondii, anticorpo IgM, soro
16) Cardiolipina, anticorpo IgC, soro
17) Cardiolipina, anticorpo IgM, soro
18) Anticoagulante lúpico, plasma 
19) Proteína S, total e livre, plasma
20) Proteína C, funcional, plasma
21) Acido Fólico, soro
22) Hemograma com plaquetas
23) Reticulocitos 
24) Anticorpos anti nucleares 
25) KTTP - tempo tromboplastina 
26) Fator 12 
27) Colesterol Total
28) Colesterol HDL
29) Colesterol LDL
30) Triglicerídeos 
31) Prototrombina mutante 
32) Àcido Úrico, soro
33) Urina, exame de contagem automatizada, urina jato médio

Bibiana

Tua presença foi rápida e breve
Uma brisa leve 
Que me tocou 
Virou do avesso
Desabrochou
Uma mistura de sentimentos 
Transformação, vida, ansiedade 
Morte, dor, tempestade
Felicidade plena
Um significado para a palavra "Família"
Eu aprendi tanto contigo 
39 semanas 
E o tempo te levou com o vento
De tudo que me ensinaste 
Ficou um grande amor
E uma outra mulher 
Minha filha
Eu não sei onde estás 
Apesar de te ter sempre comigo
Eu desejo que estejas em um lugar feliz 
Mas seja onde for 
Meu anjo, minha Bibi,
Descanse em paz.

Com carinho, com amor e com saudades eternas, da tua mãe.