sábado, 28 de março de 2020

Em busca de um porquê

Mesmo tendo enviado o corpo da Bibiana para a necrópsia, eu não tive respostas sobre a sua causa morte. O laudo apenas relatava uma anóxia seis horas antes da minha chegada ao hospital, mas sem dizer a causa desta. Minha obstetra não enviou a placenta e nem o cordão umbilical para a análise nos deixando sem saber se eu tive um trombo, uma má formação ou qualquer outra coisa que justificasse a partida precoce da Bibi (assim eu a chamava, carinhosamente). 
Como o coração de uma mãe que passa pela dor da perda de um filho não descansa, eu entrei em grupos de apoio à perda gestacional e neonatal na internet para buscar apoio e respostas a minha culpa. Sim, eu me sentia muito culpada. Pensava se poderia ter comido ou bebido alguma coisa que tivesse feito mal ao bebê, se havia trabalhado demais, se deveria ter me exercitado de forma diferente, "ses"e mais "ses" rondavam a minha cabeça. Lia tudo e mais um pouco sobre os textos publicados nestes grupos e também os artigos que encontrava no Google Acadêmico. Além da busca da espiritualidade (que ajudou muito a confortar minha alma), agendei inúmeras consultas com outros ginecologistas e obstetras para tentar entender o que poderia ter acontecido. Muitos médicos não encontravam respostas, apenas me diziam que estas coisas aconteciam. Mas, finalmente, após inúmeras buscas, um profissional me disse o que poderia ter acontecido com base nos meus relatos e nos laudos dos exames.
Notou-se que a minha filha, baixou seu percentil de crescimento da 33 semana, então com 75%, para 50% na 37 semana (última ecografia realizada, a qual a médica da eco havia dito que ela estava pronta para nascer) e, que isso, aliado a alta de minha pressão, poderia indicar algum problema ocorrido com a minha placenta. 
Placenta que não tinha havia sido enviada para análise, ou seja: eu nunca teria como saber. 
De qualquer forma, decidi fazer o que estivesse ao meu alcance para tentar descobrir o que poderia ter ocorrido para que este evento não venha a se repetir e para, claro, acalmar meu coração. 

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