sábado, 28 de março de 2020

Coisas que eu senti nos primeiros meses após a perda

Quando - Sentimento
Recebi a notícia - choque 
Tive que fazer o parto - choque (achava sem sentido) 
Peguei minha filha - paz, alegria e tristeza 
Saí do hospital de mãos vazias - vazio e revolta 
Vi mães com seus filhos recém nascidos - vazio e revolta 
Cheguei em casa - vazio, raiva e tristeza 
Abri seu quarto e tive que encaixotar suas coisas - vazio, raiva e tristeza 
Recebi a visita de amigos e familiares no hospital e em casa - conforto e muito amor 
Entrei em um grupo de apoio a perdas gestacionais e neonatais - conforto 
Fui em busca de outras opiniões médicas - conforto e tristeza (se diagnosticado, poderia ter sido evitado)
Ficava brincando com meu cachorro - conforto
Fazer meu artigo da pós-graduação - conforto
Fui ao psiquiatra - conforto
Voltei a fazer exercícios - prazer 
Sorria com amigos - culpa 
Fazia sexo com o marido - culpa 
Pensava em mim como mulher - fracasso

Confesso que estes sentimentos se misturaram muitas vezes e que me sentia em uma verdadeira montanha-russa emocional. 
A culpa sempre aparecia nos raros momentos em que a tristeza dava lugar a outras emoções como a gratidão, o amor, o riso... a sensação é que eu estava traindo a minha filha, a abandonando. 
Como se isto um dia fosse possível. 
Nós cuidamos da Bibi. Cuidamos na vida e também cuidamos na morte.
Cuidaremos também eternamente da sua memória em nossos corações.




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