Após passar pelo choque do luto, continuei frequentando (com muito esforço) eventos de família e de amigos relacionados ou não com crianças. O que me chamou a atenção é que ninguém comenta sobre o ocorrido comigo ou com o meu marido. Perguntavam para nossos parentes como estávamos, mas perto de nós, fingiam que nada tinha acontecido.
Ainda, quando estavam em uma roda e algum amigo perguntava como eu estava para um parente e outras pessoas que não sabiam do ocorrido perguntavam o que havia acontecido e este contava a história, as pessoas que haviam perguntado saiam de perto. Também não querendo lidar com aquela situação horrível.
Quando as pessoas tem estas atitudes, a dor de quem está passando pelo luto é muito pior. É como se aquele bebê fosse ignorado, mas o fato é que ele existiu e foi muito real para todos os envolvidos.
No nosso caso, os parentes mais próximos (pai, mãe, sogra e marido) tiveram contato com a Bibiana. Para nós, ela foi um ente que partiu.
Para mim, especialmente, ter que lidar com a minha dor, com a dor dos parentes mais próximos e também com a expectativa frustada da chegada de um bebê foi terrivelmente terrível.
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