sábado, 28 de março de 2020

Encarando nossos monstros

No dia 3 de abril de 2017, nasceu a filha de um casal muito amigo nosso na mesma maternidade onde perdemos a Bibi. 
Meu primeiro pensamento foi: eu não vou no hospital, vou esperar para visitá-los em casa. Mas, lembrei de quanta força recebemos dos dois durante todo período do luto, mesmo ela estando grávida (numa gestação de risco). 
Respirei, me arrumei, rezei e nós fomos. 
Confesso: não foi fácil!
Entrar no hospital, encarar a maternidade e segurar aquela criança linda (recém nascida) mexeu muito comigo. Eu dava um passo e me lembrava da nossa história e a pergunta voltava: "-Por quê, meu Deus?" 
De qualquer forma, fazia tempo eu queria agradecer a psicóloga do hospital que insistiu para vermos nossa filha, então aproveitei para encontrá-la, dar um abraço bem forte nela e dizer: Muito Obrigada. 
Aproveitei também para visitar uma ex-colega do colégio que estava internada com 5 meses de gravidez e dizer: Vai dar certo. 
O saldo, apesar de relembrar o trauma, foi positivo. Algum dia, eu teria que enfrentar meus medos. Por dois amigos queridos, enfrentei todos de uma vez. 

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